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OpenAI, dona do ChatGPT, entra com pedido de IPO; empresa pode valer US$ 1 trilhão

A OpenAI, criadora do ChatGPT, deu entrada nesta segunda-feira (8) em pedido confidencial de IPO (oferta inicial de ações) nos Estados Unidos, mirando avaliação de até US$ 1 trilhão. A empresa se junta a Anthropic e SpaceX na corrida para abrir capital.


Redação g1 Terça - 09 de Junho de 2026 às 01:29
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AP/Michael Dwyer, Arquivo
1 de 1 O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT

A OpenAI, criadora do ChatGPT, formalizou nesta segunda-feira (8) o pedido confidencial de IPO (oferta inicial de ações, primeira venda pública de papéis) nos Estados Unidos. A medida marca a chegada da empresa ao mercado acionário, abrindo caminho para que aplicadores comprem e vendam participações na companhia.

AP/Michael Dwyer, Arquivo
1 de 1 O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT

Com a decisão, a corporação entra na disputa direta com a Anthropic, responsável pelo assistente de inteligência artificial Claude, que também havia protocolado solicitação sigilosa na última segunda-feira (1º). No front oposto, a SpaceX, controlada por Elon Musk e dona da IA (inteligência artificial) Grok, fixou em US$ 135 o preço de cada ação em seu IPO, com listagem na bolsa programada para sexta-feira (12).

As três companhias protagonizam uma corrida pelo mercado de capitais, descrita por analistas como o teste mais expressivo da última década acerca do apetite dos investidores por papéis de tecnologia de elevada valorização.

Apesar de a OpenAI não ter informado o volume ou as condições da operação, a agência Reuters publicou que a empresa projeta uma avaliação de até US$ 1 trilhão, com estreia prevista para setembro.

A solicitação de IPO ocorre após a companhia renegociar a parceria com a Microsoft, uma de suas primeiras investidoras, abrindo espaço para alianças com Amazon e Google, entre outras. O aporte inicial, que totaliza US$ 13 bilhões desde 2019, ajudou a acelerar a ascensão da OpenAI e o crescimento do serviço de computação em nuvem Azure, da Microsoft.

Em fevereiro, a OpenAI comunicou ter levantado US$ 110 bilhões com avaliação de US$ 840 bilhões, contando com o apoio de SoftBank, Amazon e Nvidia. Na oportunidade, também revelou que o ChatGPT contava com mais de 900 milhões de usuários ativos semanais e ultrapassava 50 milhões de assinantes pagantes.

Em março, a empresa declarou registrar receita mensal de US$ 2 bilhões e avançar cerca de quatro vezes mais rápido do que gigantes como a Alphabet, controladora do Google, e a Meta, proprietária de Instagram, WhatsApp e Facebook.

As estreias simultâneas de OpenAI e Anthropic na bolsa consolidariam uma fase de transformações para o setor de tecnologia e para os mercados globais, com a inteligência artificial se firmando como principal destino de capital da década. No caso da SpaceX, a precificação adotada pode render o maior IPO da história, com meta de captar US$ 75 bilhões a partir de uma avaliação de US$ 1,75 trilhão.

Concorrentes avançam no setor

Indústria que a OpenAI ajudou a criar, o setor ganhou força rapidamente e passou a atrair competidores de peso, como a Anthropic, que busca ocupar o topo do mercado. No paralelo, investidores tentam dimensionar se a expansão acelerada da área de inteligência artificial tem fôlego para se sustentar.

A Anthropic emergiu como uma das principais adversárias, com o Claude registrando forte demanda entre desenvolvedores de software para tarefas de programação. Algumas empresas já utilizam o modelo mais avançado da companhia, o Mythos, para identificar vulnerabilidades em seus códigos.

A entrada da Anthropic no circuito de IPOs aconteceu poucas semanas após a empresa captar US$ 65 bilhões em uma rodada de financiamento que a avaliou em US$ 965 bilhões.

Apesar de operações desse porte poderem injetar fôlego no mercado de IPOs dos Estados Unidos, executivos de bancos de investimento advertem que ofertas tão volumosas tendem a absorver capital que poderia ser destinado a operações de menor porte.

Disputa entre Altman e Musk

Fundada em 2015 como entidade sem fins lucrativos voltada à pesquisa, a OpenAI instituiu uma divisão comercial quatro anos depois, com o objetivo de viabilizar os custos de desenvolvimento de sistemas inteligentes.

Sua estrutura atípica, que mantinha a entidade sem fins lucrativos no controle da organização lucrativa, foi alvo de intenso escrutínio no fim de 2023, quando o CEO Sam Altman foi afastado brevemente do cargo e retornou dias depois, após uma revolta interna dos funcionários.

Em dezembro de 2024, a OpenAI anunciou o plano de reformular seu modelo por meio da criação de uma corporação de benefício público, sob a justificativa de que a mudança facilitaria a captação de capital e reduziria restrições impostas pela controladora sem fins lucrativos.

A reestruturação logo gerou controvérsia diante das críticas de Musk, um dos primeiros investidores. O bilionário acionou a Justiça contra a OpenAI, acusando Altman e outros executivos de converter a organização sem fins lucrativos em instrumento de enriquecimento privado.

Em maio, um júri dos EUA decidiu contra Musk em seu processo, concluindo que a empresa de IA não tinha responsabilidade perante a pessoa mais rica do mundo por supostamente ter se desviado de sua missão original de beneficiar a humanidade.

O veredito unânime afastou um importante fator de incerteza para o IPO, com analistas avaliando que ele eliminou um entrave jurídico que costuma preocupar aplicadores do mercado acionário.

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